domingo, 25 de novembro de 2012
O DONO DA CASA – A PERCUSSÃO DE DJALMA CORRÊA
QUINTA POÉTICA APRESENTA
O DONO DA CASA – A PERCUSSÃO DE DJALMA CORRÊA
Nesta quinta feira, dia 07 de maio às 19hs na Escola Guignard o projeto Quinta Poética apresenta o músico percussionista Djalma Corrêa. Entrada Franca
Utilizando material audiovisual, muita música e bate papo, Djalma Corrêa irá contar um pouco da sua trajetória musical estabelecendo ligações com a história da percussão no Brasil.
Chamado de bruxo, mago, alquimista, mestre da percussão, Djalma Correa se destaca por sua relevância na história da música brasileira e por maneira particular de tocar e de se relacionar com ela. Sua leitura e interpretações do Brasil sonoro resultam em uma estética musical tradutora de nossas múltiplas identidades culturais, percebida nitidamente no toque do seu tambor chefe: “o dono da casa”.
“Irei utilizar meu acervo de vídeos e fotos para contar passagens importantes e divertidas da música brasileira. Irei falar também dos músicos que toquei, que influenciaram minha música e que contribuíram com meu processo de criação, como por exemplo meu encontro com Dizzy Gillespy ( EUA), Tata Guines (Cuba), Koellreutter, Walter Smetak, Vicente Assuar, e muitos outros”, afirma Djalma.
Segundo Benedikt Wiertz, Diretor da Escola Guignard, “a trajetória musical de Djalma Corrêa se mistura com a história da música brasileira. Seu processo de criação é peculiar. A idéia da apresentação dele aqui na Quinta Poética é fazer provocações que o faça relembrar passagens importantes da sua formação artística.”
SUA FORMAÇÃO
Dos sinos de Ouro Preto vieram suas primeiras percepções musicais. Aos 14 anos torna-se músico profissional em Belo Horizonte, tocando bateria em bailes de gafieira.
Em Salvador teve sua formação marcada pelos Seminários Livres de Música da Universidade Federal da Bahia, onde estudou com os professores H. J. Koellreutter, Walter Smetak, Vicente Assuar, entre outros. Participou ativamente de importantes movimentos musicais que ali surgiam, como o Tropicalismo. Teve contato com a cultura afro-brasileira nas cerimônias dos terreiros de candomblé.
Pesquisador da cultura negra, foi responsável pela execução do Projeto Phonogram de Pesquisa e Documentação do Folclore no Brasil, desenvolvido entre 1973 e 1975. Reuniu em acervo particular, durante cerca de 40 anos de pesquisa de campo em todo o Brasil, vasta documentação da cultura popular brasileira, além dos registros feitos paralelamente na África, em Cuba, na Venezuela e na Europa.
Participou de vários festivais internacionais, escreveu trilhas sonoras para cinema (como para Martin Scorcese, A última Tentação de Cristo) e teatro, gravou com grandes nomes da MPB, trabalhou a percussão com enfoque didático em oficinas e masterclasses, no Brasil e no exterior e coordenou projetos na área da cultura afro-brasileira.
A influência de Djalma na história da percussão é claramente percebida, deixando marcas diretas e indiretas na formação de novos músicos.
O DONO DA CASA
Dono de um arsenal de instrumentos como atabaques, tambores de todos os tipos e tamanhos, cuícas, panelas, penicos, flautas, crânio, pios do mundo todo e outros como o "Banjilógrafo - pequena caixa contendo teclas como se fossem máquina de escrever que tocam sobre cordas finas -, o “Sacará” - instrumento de cerâmica encontrado na Nigéria e tocado normalmente por mulheres, chamado na Europa de tambor étnico - além dos fabricados por ele, como “o Dono da Casa".
Este é o nome dado pelo músico para o tambor principal de seu set. Construído dentro de uma técnica africana que utiliza fogo e água para escavar a madeira e feito de tronco de uma única árvore, este instrumento representa bem a relação do músico com sua música.Os instrumentos são um retrato da relação do músico e da percussão com o mundo e com o próprio conceito de música.
“ Este tambor é inseparável, já rodou o mundo todo comigo e é meu amigo predileto. Essa madeira eu encontrei lá no Amazonas, quando estava em uma turnê e o primeiro couro que O Dono da Casa teve era do burro Julico que eu andava lá na Bahia, na ilha de Itaparica. Quando o burro estava para morrer eu disse que queria duas coisas: a pele e a queixada. E quando ele morreu a pele veio para este tambor e deu este som grave, bonito, inconfundível. Minha marca registrada."
Djalma Corrêa
Djalma Corrêa teve sua formação marcada pelos Seminários Livres de Música da Universidade Federal da Bahia, em Salvador, onde estudou, entre os últimos anos da década de cinqüenta e os primeiros da de sessenta, com os professores H. J. Koellreutter, Walter Smetak, Vicente Assuar, entre outros. Nesse período, tocou na Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia, no Conjunto Universitário de Jazz e engajou-se em importantes movimentos musicais que ali surgiam. Ao longo de sua trajetória como percussionista, compositor e pesquisador, ele participou de vários Festivais Internacionais de música, escreveu trilhas sonoras para cinema e teatro, gravou com grandes nomes da MPB, trabalhou a percussão com enfoque didático em oficinas e masterclasses, no Brasil e no exterior, reuniu em acervo particular expressiva documentação da cultura brasileira e de outros países, coordenou projetos na área da cultura afro-brasileira, dentre outras atividades.
Destacam-se sua participação no Montreux Jazz Festival (Suíça); Jazz Fest Berlin (Alemanha); Festival de La Unidad (México); Festival de Arte e Cultura (Nigéria); Festival de Varadero (Cuba); Festival Internacional de Jazz de São Paulo (Brasil), Festival Rock in Rio (Brasil); Free Jazz Festival (Brasil); Festival Expressions’86 (EUA); Encuentro Latinoamericano de Percusión (Venezuela); em turnês no Japão, França, Itália e nos Estados Unidos; nos lendários shows Nós por exemplo, de 1964, e Os Doces Bárbaros, de 1976, com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia; nos espetáculos do guitarrista alemão Volker Kriegel e da Mild Maniac Orchestra, no Brasil, em 1975, como convidado especial; no espetáculo de reabertura do Teatro Sistina, na Itália, em 1976, com Maria Bethânia; no disco Aquarius com Patrick Moraz; na composição de Peter Gabriel ganhadora do Grammy (“Mercy Street”), e na trilha sonora, do mesmo compositor, para o filme A última tentação de Cristo, de Martin Scorsese; em gravações marcantes no cenário da Música Popular Brasileira, como os LPs Jóia, Qualquer Coisa e Bicho (de Caetano Veloso), Gil e Jorge (de Gilberto Gil e Jorge Ben), Refavela, Realce, Gilberto Gil ao Vivo em Montreux, O Luar, Parabolicamará (de Gilberto Gil), Refestança (de Gilberto Gil e Rita Lee), Almanaque e Chico Buarque (de Chico Buarque de Holanda), Caras e Bocas (de Gal Costa), Mel (de Maria Bethânia), entre vários outros.
Destacam-se também a criação do grupo multimídia Baiafro, ainda na Bahia, em 1970; o lançamento do LP Baiafro, pelo qual recebeu o Troféu Villa-Lobos como instrumentista do ano, em 1978, seguido de tournées com o grupo e com The Dave Pike Set, sob o patrocínio do Instituto Cultural Brasil-Alemanha; a composição da música para o documentário Black Music in Brazil, em série da BBC de Londres; a gravação do LP Grupo Cauim, em 1980; a gravação do LP Evolução (Ariola), em 1984; a gravação do LP Quarteto Negro, em 1987, com os
parceiros Paulo Moura, Zezé Mota e Jorge Degas; a gravação do LP Gosto de Brasil, com Nonato Luiz, em 1990; a série de concertos com Márcio Montarroyos e Nonato Luiz, em 1992, que participaram também do CD Djalma Corrêa, produzido pelo SESC São Paulo, dentro da série A Música Brasileira deste Século – por seus autores e intérpretes; a gravação do CD Barro Oco, em 2000, com a saxofonista Maria Bragança, seguido de apresentações no Theater Frankfurt (Alemanha), na série Internationales; a coordenação do projeto “Música Além do Mercado”, durante o ano de 2003, patrocinado pelo Goethe Institut, na cidade de São Paulo; a realização de oficinas de música nos Festivais de Inverno de Curitiba, Cascavel, Ouro Preto, Porto Alegre, Pelotas e Diamantina, entre as quais as oficinas de percussão e craviola, em parceria com Stênio Mendes.
Pesquisador da cultura negra, Djalma foi o responsável pela execução do Projeto Phonogram de Pesquisa e Documentação do Folclore no Brasil, desenvolvido entre 1973 e 1975. Reuniu em acervo particular, durante cerca de 40 anos de pesquisa de campo em todo o Brasil, vasta documentação da cultura popular brasileira, além dos registros feitos paralelamente na África, em Cuba, na Venezuela e na Europa. Parte de seu acervo particular de documentação sobre música e outros aspectos da cultura popular brasileira foi utilizada na realização, em parceria com Charles Murray, de um CD rom sobre os diversos aspectos da cultura negra no Brasil, intitulado Brasil Afro-descendente. Foi curador do 1o Festival Internacional de Arte Negra – FAN, em 1995, para o qual desenvolveu oficinas de afoxé nas periferias de Belo Horizonte e organizou a Banda Mineira de Percussão. Em dezembro de 2003, participou da idealização e fundação do Núcleo Brasileiro de Percussão, sendo eleito seu Diretor Geral.
Em 2004, o percussionista preparou, a convite, a oficina de dança e percussão oferecida ao Departamento de Dança do Goucher College de Baltimore, Maryland (USA), no Rio de janeiro (Brasil); a oficina intitulada La Percusión en Brasil: la musica en los terreiros, seguida de um concerto para a percussão, dentro da programação oficial do I Festival Internacional de Tradições Afro-Americanas, em Maracay, Aragua – Venezuela; e, em julho, pelo Núcleo Brasileiro de Percussão, uma oficina baseada nas diversas versões da tradição carnavalesca do Zé Pereira, espalhadas pelo Brasil, dentro da programação do I Fórum das Artes de Ouro Preto, Minas Gerais (Brasil).
O Quinta Poética acontece toda semana, com entrada franca, no auditório da Escola Guignard-UEMG - na rua Ascânio Bulamarque, 540 Mangabeiras.
Informações: 3194 – 9310
Missa Afro Brasileira é apresentada pela primeira vez com instrumentos de percussão
Missa Afro Brasileira é apresentada pela primeira vez com instrumentos de percussão
Com arranjos do percussionista Djalma Corrêa, consagrada obra do maestro Carlos Alberto Pinto Fonseca é apresentada no Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, no dia 30 de abril.
A Missa Afro Brasileira, mais consagrada obra do maestroCarlos Alberto Pinto Fonseca (1933 – 2006), se completa, com instrumentos de percussão genuinamente africanos. A apresentação inédita no dia 30 de abril, no Grande Teatro do Palácio das Artes, emBelo Horizonte, abrange arranjos do renomado percussionista Djalma Corrêa, além da participação dos solistas Sylvia Klein, Luciana Monteiro,Welington Vilaça e Joseh Carlos Leawl.
Composta em 1971, originalmente para coro misto “a capella” (coro cantado sem acompanhamento instrumental), a Missa Afro Brasileira destaca o sincretismo religioso, um amálgama de doutrinas ou concepções heterogêneas presente nos cultos afro-brasileiros. O interesse do autor pela cultura afro-brasileira talvez seja o que faça de sua principal obra um grande destaque. “Ele, enquanto maestro e compositor, mergulhou nas raízes da sonoridade afro para tentar compreender os detalhes e a influência do povo africano, tudo isso aliado à mistura cultural mineira e portuguesa”, ressalta a maestrina Ângela Pinto Coelho, idealizadora do projeto.
“Como os negros não podiam reverenciar suas entidades, utilizavam projeções católicas para se expressarem. Tais representações reforçaram as influências das culturas portuguesa e africana nas diferentes regiões do País”, destaca Jaques Diogo, diretor de produção do espetáculo.
A Missa
Sobre a obra, o próprio maestro Carlos Alberto disse certa vez “o sincretismo é uma realidade no Brasil. Tentei expressar os sentimentos religiosos dos brasileiros, povo formado pela mistura do europeu, do negro e dos ancestrais indígenas”.
Muitos especialistas ressaltam ainda que a missa tenta abolir as barreiras entre sacro e profano, erudito e popular, sendo composta com alternâncias e, muitas vezes, superposições de textos em latim e em português. O batuque é representado pelos ritmos mais percussivos de origem afro. O acalanto, por sua vez, pelas canções de ninar, as cantigas de roda, além da marcha-rancho, do choro e do samba-canção. A obra, premiada em 1976 pela Associação Paulista de Críticos da Arte, como “Melhor obra vocal do ano”, tem sido apresentada com grande sucesso nos Estados Unidos, Europa e em vários países da América Latina.
A missa foi publicada pela Lawson-Gould Music Publishers, nos Estados Unidos, em 1978, e gravada pelo próprio compositor à frente do Coral Ars Nova, em 1989. O vinil gravado na época tem em sua capa uma ilustração de Álvaro Apocalypse, artista plástico conhecido internacionalmente, sendo fundador do Grupo Giramundo de Teatro de Bonecos.
Com arranjos do percussionista Djalma Corrêa, consagrada obra do maestro Carlos Alberto Pinto Fonseca é apresentada no Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, no dia 30 de abril.
A Missa Afro Brasileira, mais consagrada obra do maestroCarlos Alberto Pinto Fonseca (1933 – 2006), se completa, com instrumentos de percussão genuinamente africanos. A apresentação inédita no dia 30 de abril, no Grande Teatro do Palácio das Artes, emBelo Horizonte, abrange arranjos do renomado percussionista Djalma Corrêa, além da participação dos solistas Sylvia Klein, Luciana Monteiro,Welington Vilaça e Joseh Carlos Leawl.
Composta em 1971, originalmente para coro misto “a capella” (coro cantado sem acompanhamento instrumental), a Missa Afro Brasileira destaca o sincretismo religioso, um amálgama de doutrinas ou concepções heterogêneas presente nos cultos afro-brasileiros. O interesse do autor pela cultura afro-brasileira talvez seja o que faça de sua principal obra um grande destaque. “Ele, enquanto maestro e compositor, mergulhou nas raízes da sonoridade afro para tentar compreender os detalhes e a influência do povo africano, tudo isso aliado à mistura cultural mineira e portuguesa”, ressalta a maestrina Ângela Pinto Coelho, idealizadora do projeto.
“Como os negros não podiam reverenciar suas entidades, utilizavam projeções católicas para se expressarem. Tais representações reforçaram as influências das culturas portuguesa e africana nas diferentes regiões do País”, destaca Jaques Diogo, diretor de produção do espetáculo.
A Missa
Sobre a obra, o próprio maestro Carlos Alberto disse certa vez “o sincretismo é uma realidade no Brasil. Tentei expressar os sentimentos religiosos dos brasileiros, povo formado pela mistura do europeu, do negro e dos ancestrais indígenas”.
Muitos especialistas ressaltam ainda que a missa tenta abolir as barreiras entre sacro e profano, erudito e popular, sendo composta com alternâncias e, muitas vezes, superposições de textos em latim e em português. O batuque é representado pelos ritmos mais percussivos de origem afro. O acalanto, por sua vez, pelas canções de ninar, as cantigas de roda, além da marcha-rancho, do choro e do samba-canção. A obra, premiada em 1976 pela Associação Paulista de Críticos da Arte, como “Melhor obra vocal do ano”, tem sido apresentada com grande sucesso nos Estados Unidos, Europa e em vários países da América Latina.
A missa foi publicada pela Lawson-Gould Music Publishers, nos Estados Unidos, em 1978, e gravada pelo próprio compositor à frente do Coral Ars Nova, em 1989. O vinil gravado na época tem em sua capa uma ilustração de Álvaro Apocalypse, artista plástico conhecido internacionalmente, sendo fundador do Grupo Giramundo de Teatro de Bonecos.
Oficina Festeiros de Chico Rei
Oficina Festival de Inverno de Ouro Preto
Festeiros de Chico Rei
Festeiros de Chico Rei é uma base rítmica concebida ao longo de anos através de estudos feitos pelo percussionista Djalma Corrêa – Brasil e mundo afora. Esta levada aparece como um guarda-chuva rítmico onde todos os ritmos se encaixam e se acomodam dentro de uma base que é flexível, variável, dinâmica e acomodante (Congado, Maracatu, Capoeira, Samba, Funk, Hip Hop, etc.). Tendo como objetivo refletir sobre o fazer rítmico e as muitas possibilidade de diálogos polirítmicos na linguagem percussiva, a oficina pretende ser o ponta-pé inicial de um movimento musical e social futuro na cidade, congregando os muitos grupos que hoje se utilizam da linguagem percussiva na sua práxis cotidiana. Sem deixar de lado a memória de antigos grupos da cidade, como, por exemplo, Charanga Brito e Filho, Festeiros de Chico Rei pretende ser um marco na busca da reunião de possibilidades múltiplas do universo percussivo em ação simultânea.
A oficina consiste em dois módulos:
Módulo I (9 a 13 julho) – Chamado de Multiplicador, este módulo contará somente com a participação de convidados (lideranças de movimentos musicais pré-determinados na cidade), onde o intuito é gerar multiplicadores que atuarão durante todo o Festival sob a coordenação do percussionista Djalma Corrêa.
Módulo II (16 a 28 de julho) – Chamado de Práxis, este módulo tratará da oficina especificamente e contará com a participação de todos os alunos no que se refere à pesquisa de material sonoro (idas aos ferros-velhos, lixões, utilização de material reciclável, etc.), confecção de instrumentos de percussão, prática percussiva, ensaios e cortejo final.
Djalma Corrêa é natural de Ouro Preto e teve sua formação marcada pelos Seminários Livres de Música da UFBA, onde estudou, entre os últimos anos da década de cinqüenta e os primeiros da década de sessenta, com os professores Koellreutter, Smetak, Assuar, etc.. Ao longo de sua trajetória como percussionista, compositor e pesquisador, participou de vários festivais internacionais de música, escreveu trilhas sonoras para cinema e teatro, gravou com grandes nomes da MPB. Destaca-se sua participação: no Montreux Jazz Festival (Suíça); Festival Rock in Rio (Brasil); Free Jazz Festival (Brasil); no filme A última tentação de Cristo, de Martin Scorsese e em gravações marcantes no cenário da Música Popular Brasileira, como os LPs: Os Doces Bárbaros, de 1976, (Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia); Qualquer Coisa (Caetano Veloso), Quarteto Negro (Paulo Moura, Zezé Mota e Jorge Degas); Gil e Jorge (Gilberto Gil e Jorge Ben), Gilberto Gil ao Vivo em Montreux, Almanaque (Chico Buarque de Holanda), Caras e Bocas (Gal Costa), Mel (Maria Bethânia), entre vários outros. Já no que se refere à pedagogia da percussão trabalhou com enfoque didático em oficinas e master classes no Brasil e no exterior, reunindo em acervo particular expressiva documentação da cultura brasileira e de outros países. Pesquisador da cultura negra, Djalma participou da idealização e da fundação do Núcleo Brasileiro de Percussão, sendo eleito seu diretor geral em Dezembro de 2003.
Vagas: 110 (90 moradores de Ouro Preto e Mariana e 20 de público em geral)
Realização: 9 a 13 de julho – Módulo I – das 17 às 21h (para multiplicadores convidados)
16 a 28 de julho – Módulo II – das 17 às 21h (20 vagas – público em geral + 90 vagas – moradores de Ouro Preto e Mariana)
29 de julho – Cortejo
Carga horária: módulo I – 20 horas;
módulo II – 40 horas
Público-alvo: percussionistas, ritmistas e interessados em geral
Material do aluno: instrumentos de percussão e objetos sonoros variados; caderno e lápis para anotação
Festeiros de Chico Rei é uma base rítmica concebida ao longo de anos através de estudos feitos pelo percussionista Djalma Corrêa – Brasil e mundo afora. Esta levada aparece como um guarda-chuva rítmico onde todos os ritmos se encaixam e se acomodam dentro de uma base que é flexível, variável, dinâmica e acomodante (Congado, Maracatu, Capoeira, Samba, Funk, Hip Hop, etc.). Tendo como objetivo refletir sobre o fazer rítmico e as muitas possibilidade de diálogos polirítmicos na linguagem percussiva, a oficina pretende ser o ponta-pé inicial de um movimento musical e social futuro na cidade, congregando os muitos grupos que hoje se utilizam da linguagem percussiva na sua práxis cotidiana. Sem deixar de lado a memória de antigos grupos da cidade, como, por exemplo, Charanga Brito e Filho, Festeiros de Chico Rei pretende ser um marco na busca da reunião de possibilidades múltiplas do universo percussivo em ação simultânea.
A oficina consiste em dois módulos:
Módulo I (9 a 13 julho) – Chamado de Multiplicador, este módulo contará somente com a participação de convidados (lideranças de movimentos musicais pré-determinados na cidade), onde o intuito é gerar multiplicadores que atuarão durante todo o Festival sob a coordenação do percussionista Djalma Corrêa.
Módulo II (16 a 28 de julho) – Chamado de Práxis, este módulo tratará da oficina especificamente e contará com a participação de todos os alunos no que se refere à pesquisa de material sonoro (idas aos ferros-velhos, lixões, utilização de material reciclável, etc.), confecção de instrumentos de percussão, prática percussiva, ensaios e cortejo final.
Djalma Corrêa é natural de Ouro Preto e teve sua formação marcada pelos Seminários Livres de Música da UFBA, onde estudou, entre os últimos anos da década de cinqüenta e os primeiros da década de sessenta, com os professores Koellreutter, Smetak, Assuar, etc.. Ao longo de sua trajetória como percussionista, compositor e pesquisador, participou de vários festivais internacionais de música, escreveu trilhas sonoras para cinema e teatro, gravou com grandes nomes da MPB. Destaca-se sua participação: no Montreux Jazz Festival (Suíça); Festival Rock in Rio (Brasil); Free Jazz Festival (Brasil); no filme A última tentação de Cristo, de Martin Scorsese e em gravações marcantes no cenário da Música Popular Brasileira, como os LPs: Os Doces Bárbaros, de 1976, (Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia); Qualquer Coisa (Caetano Veloso), Quarteto Negro (Paulo Moura, Zezé Mota e Jorge Degas); Gil e Jorge (Gilberto Gil e Jorge Ben), Gilberto Gil ao Vivo em Montreux, Almanaque (Chico Buarque de Holanda), Caras e Bocas (Gal Costa), Mel (Maria Bethânia), entre vários outros. Já no que se refere à pedagogia da percussão trabalhou com enfoque didático em oficinas e master classes no Brasil e no exterior, reunindo em acervo particular expressiva documentação da cultura brasileira e de outros países. Pesquisador da cultura negra, Djalma participou da idealização e da fundação do Núcleo Brasileiro de Percussão, sendo eleito seu diretor geral em Dezembro de 2003.
Vagas: 110 (90 moradores de Ouro Preto e Mariana e 20 de público em geral)
Realização: 9 a 13 de julho – Módulo I – das 17 às 21h (para multiplicadores convidados)
16 a 28 de julho – Módulo II – das 17 às 21h (20 vagas – público em geral + 90 vagas – moradores de Ouro Preto e Mariana)
29 de julho – Cortejo
Carga horária: módulo I – 20 horas;
módulo II – 40 horas
Público-alvo: percussionistas, ritmistas e interessados em geral
Material do aluno: instrumentos de percussão e objetos sonoros variados; caderno e lápis para anotação
VIII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros 2008
Aug 7, '08 10:08 PM
Os tambores nesta tarde de terça feira (29/07) protagonizaram um encontro de troca e saber na Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge. Neste espaço, sob a regência do percussionista Djalma Corrêa, várias pessoas entre turistas, músicos e curiosos se reuniram para ouvir, tocar e trocar experiências musicais com um dos maiores mestres da percussão brasileira.
Djalma iniciou a oficina dando oportunidade aos "alunos" de demonstrarem suas habilidades. Em seguida, começou o seu trabalho explicando o valor, o sentido da percussão e enfatizando a diferença que existe entre tocar e bater tambor. "Se bater eu grito, se tocar eu canto".
O percussionista lembrou a sua experiência na busca de sons e sobre a expressão corporal que, segundo o musico, todo o ser humano tem, pois passou nove meses no ventre da mãe "ouvindo vários sons, o pulsar do coração, dos líquidos. Temos a possibilidade de efeitos sonoros ouvindo o próprio corpo", explicou.
Fez também referência sobre a oficina do etnomusicólogo congolês Kazadi Wa Mukuna, que também participa do VIII Encontro de Culturas, onde a forma musical não é escrita, mas cantada e falada. "Kazadi demonstrou que entre outras formas de culturas tradicionais, como a africana, o sentido da percussão tem que ser circular e não linear como uma partitura ocidental"
"É determinar células que se repetem, que complementam uma com as outras. Aí, você vê a complexidade de ritmos que vão se construindo. Temos que saber controlar a ansiedade em tocar, apreender a esperar. É de suma importância à dinâmica, mudança de timbre, segurar a ansiedade e o silêncio. Tendo um chão como base (o pulsar do tambor) que ira possibilitar a criação rítmica e, como numa brincadeira, todos vão se permitindo sentir esse pulsar que é a base e a comunicação acontecerá entre todos", explicou Djalma.
E o resultando não demorou. Djalma Corrêa levou a todos a pulsar com elegância e descontração como se África fosse aqui, numa qualidade sonora rica em timbres onde todos puderam tocar e dançar em meio a um grande improviso.
"O principal objetivo da oficina é fazer esta fusão entre nossas raízes e os instrumentos de percussão. É manter, divulgar e explorar esta contemporaneidade sem perder o vínculo com nossas raízes, como os índios, quilombos e a Congada ", concluiu Djalma Correa.
José Akashi, geógrafo, morador de Goiânia, era um dos participantes empolgados com a performance de Djalma. Lembrou que já participou de outras oficinas, mas não conhecia o trabalho de Djalma. "Ele é perfeito", resumiu.
A participante do Grupo de Pífanos Flautins Matuá, de Campinas (SP),
Roberta Rizzi, que veio a vila são Jorge se apresentar no Encontro de Culturas gostou muito da oficina promovida por Djalma Corrêa. "É um mestre", concluiu.
Quem é - Mineiro de Ouro Preto, nascido em 1942, mas sua formação musical ocorreu em Salvador. Djalma Novaes Correa começou em Belo Horizonte em um dos muitos grupos instrumentais de bossa nova. Ainda rapaz mudou-se para Salvador, atraído pela efervescência cultural da capital baiana onde estudou percussão e composição nos seminários da UFBa (Universidade Federal da Bahia), freqüentado por figuras que se tornariam seminais nas futuras mudanças da MPB.
Conviveu com o erudito suíço Walter Smetak, o alemão Hans Joachim Koellreuter (com quem trabalharia na Sinfônica da Bahia) e mais Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Jorge Ben e Gal Costa. Participou do início do movimento que mais tarde ficaria conhecido como Tropicalismo.
Fez trilhas sonoras para cinema, teatro e em 1970 criou o grupo de música e dança Baiafro. Com esse grupo excursionou ao exterior e gravou o disco Salomão - The Dave Pike Set and grupo Baiafro in Bahia. Participou do espetáculo Os Doces Bárbaros com Caetano, Gil, Gal e Maria Bethânia com quem excursionaria à Itália. Viajou com Gil para o Festival de Artes Negras da Nigéria, gravou Refavela com o compositor.
Participou do Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, lançou o LP "Djalma Correa", todo de percussão, gravado pela Philips, na série Música Popular Brasileira Contemporânea. Incansável pesquisador, criador original, o bruxo Djalma Correa expandiu os limites da percussão brasileira.
Os tambores nesta tarde de terça feira (29/07) protagonizaram um encontro de troca e saber na Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge. Neste espaço, sob a regência do percussionista Djalma Corrêa, várias pessoas entre turistas, músicos e curiosos se reuniram para ouvir, tocar e trocar experiências musicais com um dos maiores mestres da percussão brasileira.
Djalma iniciou a oficina dando oportunidade aos "alunos" de demonstrarem suas habilidades. Em seguida, começou o seu trabalho explicando o valor, o sentido da percussão e enfatizando a diferença que existe entre tocar e bater tambor. "Se bater eu grito, se tocar eu canto".
O percussionista lembrou a sua experiência na busca de sons e sobre a expressão corporal que, segundo o musico, todo o ser humano tem, pois passou nove meses no ventre da mãe "ouvindo vários sons, o pulsar do coração, dos líquidos. Temos a possibilidade de efeitos sonoros ouvindo o próprio corpo", explicou.
Fez também referência sobre a oficina do etnomusicólogo congolês Kazadi Wa Mukuna, que também participa do VIII Encontro de Culturas, onde a forma musical não é escrita, mas cantada e falada. "Kazadi demonstrou que entre outras formas de culturas tradicionais, como a africana, o sentido da percussão tem que ser circular e não linear como uma partitura ocidental"
"É determinar células que se repetem, que complementam uma com as outras. Aí, você vê a complexidade de ritmos que vão se construindo. Temos que saber controlar a ansiedade em tocar, apreender a esperar. É de suma importância à dinâmica, mudança de timbre, segurar a ansiedade e o silêncio. Tendo um chão como base (o pulsar do tambor) que ira possibilitar a criação rítmica e, como numa brincadeira, todos vão se permitindo sentir esse pulsar que é a base e a comunicação acontecerá entre todos", explicou Djalma.
E o resultando não demorou. Djalma Corrêa levou a todos a pulsar com elegância e descontração como se África fosse aqui, numa qualidade sonora rica em timbres onde todos puderam tocar e dançar em meio a um grande improviso.
"O principal objetivo da oficina é fazer esta fusão entre nossas raízes e os instrumentos de percussão. É manter, divulgar e explorar esta contemporaneidade sem perder o vínculo com nossas raízes, como os índios, quilombos e a Congada ", concluiu Djalma Correa.
José Akashi, geógrafo, morador de Goiânia, era um dos participantes empolgados com a performance de Djalma. Lembrou que já participou de outras oficinas, mas não conhecia o trabalho de Djalma. "Ele é perfeito", resumiu.
A participante do Grupo de Pífanos Flautins Matuá, de Campinas (SP),
Roberta Rizzi, que veio a vila são Jorge se apresentar no Encontro de Culturas gostou muito da oficina promovida por Djalma Corrêa. "É um mestre", concluiu.
Quem é - Mineiro de Ouro Preto, nascido em 1942, mas sua formação musical ocorreu em Salvador. Djalma Novaes Correa começou em Belo Horizonte em um dos muitos grupos instrumentais de bossa nova. Ainda rapaz mudou-se para Salvador, atraído pela efervescência cultural da capital baiana onde estudou percussão e composição nos seminários da UFBa (Universidade Federal da Bahia), freqüentado por figuras que se tornariam seminais nas futuras mudanças da MPB.
Conviveu com o erudito suíço Walter Smetak, o alemão Hans Joachim Koellreuter (com quem trabalharia na Sinfônica da Bahia) e mais Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Jorge Ben e Gal Costa. Participou do início do movimento que mais tarde ficaria conhecido como Tropicalismo.
Fez trilhas sonoras para cinema, teatro e em 1970 criou o grupo de música e dança Baiafro. Com esse grupo excursionou ao exterior e gravou o disco Salomão - The Dave Pike Set and grupo Baiafro in Bahia. Participou do espetáculo Os Doces Bárbaros com Caetano, Gil, Gal e Maria Bethânia com quem excursionaria à Itália. Viajou com Gil para o Festival de Artes Negras da Nigéria, gravou Refavela com o compositor.
Participou do Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, lançou o LP "Djalma Correa", todo de percussão, gravado pela Philips, na série Música Popular Brasileira Contemporânea. Incansável pesquisador, criador original, o bruxo Djalma Correa expandiu os limites da percussão brasileira.
sábado, 24 de novembro de 2012
Djalma Corrêa - [releases e discografia]
Dos sinos de Ouro Preto vieram suas primeiras percepções musicais. Aos 14 anos torna-se músico profissional em Belo Horizonte, tocando bateria em bailes de gafieira. Em Salvador teve sua formação marcada pelos Seminários Livres de Música da Universidade Federal da Bahia, onde estudou com os professores H. J. Koellreutter, Walter Smetak, Vicente Assuar, entre outros. Participou ativamente de importantes movimentos musicais que ali surgiam, como o Tropicalismo. Teve contato com a cultura afro-brasileira nas cerimônias dos terreiros de candomblé. Pesquisador da cultura negra, foi responsável pela execução do Projeto Phonogram de Pesquisa e Documentação do Folclore no Brasil, desenvolvido entre 1973 e 1975. Reuniu em acervo particular, durante cerca de 40 anos de pesquisa de campo em todo o Brasil, vasta documentação da cultura popular brasileira, além dos registros feitos paralelamente na África, em Cuba, na Venezuela e na Europa. Participou de vários festivais internacionais, escreveu trilhas sonoras para cinema (como para Martin Scorcese, A última Tentação de Cristo) e teatro, gravou com grandes nomes da MPB, trabalhou a percussão com enfoque didático em oficinas e masterclasses, no Brasil e no exterior e coordenou projetos na área da cultura afro-brasileira. A influência de Djalma na história da percussão é claramente percebida, deixando marcas diretas e indiretas na formação de novos músicos.
O DONO DA CASA
Dono de um arsenal de instrumentos como atabaques, tambores de todos os tipos e tamanhos, cuícas, panelas, penicos, flautas, crânio, pios do mundo todo e outros como o "Banjilógrafo - pequena caixa contendo teclas como se fossem máquina de escrever que tocam sobre cordas finas -, o “Sacará” - instrumento de cerâmica encontrado na Nigéria e tocado normalmente por mulheres, chamado na Europa de tambor étnico - além dos fabricados por ele, como “o Dono da Casa". Este é o nome dado pelo músico para o tambor principal de seu set. Construído dentro de uma técnica africana que utiliza fogo e água para escavar a madeira e feito de tronco de uma única árvore, este instrumento representa bem a relação do músico com sua música.
Os instrumentos são um retrato da relação do músico e da percussão com o mundo e com o próprio conceito de música.
“ Este tambor é inseparável, já rodou o mundo todo comigo e é meu amigo predileto. Essa madeira eu encontrei lá no Amazonas, quando estava em uma turnê e o primeiro couro que O Dono da Casa teve era do burro Julico que eu andava lá na Bahia, na ilha de Itaparica. Quando o burro estava para morrer eu disse que queria duas coisas: a pele e a queixada. E quando ele morreu a pele veio para este tambor e deu este som grave, bonito, inconfundível. Minha marca registrada."
Dono de um arsenal de instrumentos como atabaques, tambores de todos os tipos e tamanhos, cuícas, panelas, penicos, flautas, crânio, pios do mundo todo e outros como o "Banjilógrafo - pequena caixa contendo teclas como se fossem máquina de escrever que tocam sobre cordas finas -, o “Sacará” - instrumento de cerâmica encontrado na Nigéria e tocado normalmente por mulheres, chamado na Europa de tambor étnico - além dos fabricados por ele, como “o Dono da Casa". Este é o nome dado pelo músico para o tambor principal de seu set. Construído dentro de uma técnica africana que utiliza fogo e água para escavar a madeira e feito de tronco de uma única árvore, este instrumento representa bem a relação do músico com sua música.
Os instrumentos são um retrato da relação do músico e da percussão com o mundo e com o próprio conceito de música.
“ Este tambor é inseparável, já rodou o mundo todo comigo e é meu amigo predileto. Essa madeira eu encontrei lá no Amazonas, quando estava em uma turnê e o primeiro couro que O Dono da Casa teve era do burro Julico que eu andava lá na Bahia, na ilha de Itaparica. Quando o burro estava para morrer eu disse que queria duas coisas: a pele e a queixada. E quando ele morreu a pele veio para este tambor e deu este som grave, bonito, inconfundível. Minha marca registrada."
Djalma Corrêa
Djalma Corrêa teve sua formação marcada pelos Seminários Livres de Música da Universidade Federal da Bahia, em Salvador, onde estudou, entre os últimos anos da década de cinqüenta e os primeiros da de sessenta, com os professores H. J. Koellreutter, Walter Smetak, Vicente Assuar, entre outros. Nesse período, tocou na Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia, no Conjunto Universitário de Jazz e engajou-se em importantes movimentos musicais que ali surgiam. Ao longo de sua trajetória como percussionista, compositor e pesquisador, ele participou de vários Festivais Internacionais de música, escreveu trilhas sonoras para cinema e teatro, gravou com grandes nomes da MPB, trabalhou a percussão com enfoque didático em oficinas e masterclasses, no Brasil e no exterior, reuniu em acervo particular expressiva documentação da cultura brasileira e de outros países, coordenou projetos na área da cultura afro-brasileira, dentre outras atividades.
Djalma Corrêa teve sua formação marcada pelos Seminários Livres de Música da Universidade Federal da Bahia, em Salvador, onde estudou, entre os últimos anos da década de cinqüenta e os primeiros da de sessenta, com os professores H. J. Koellreutter, Walter Smetak, Vicente Assuar, entre outros. Nesse período, tocou na Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia, no Conjunto Universitário de Jazz e engajou-se em importantes movimentos musicais que ali surgiam. Ao longo de sua trajetória como percussionista, compositor e pesquisador, ele participou de vários Festivais Internacionais de música, escreveu trilhas sonoras para cinema e teatro, gravou com grandes nomes da MPB, trabalhou a percussão com enfoque didático em oficinas e masterclasses, no Brasil e no exterior, reuniu em acervo particular expressiva documentação da cultura brasileira e de outros países, coordenou projetos na área da cultura afro-brasileira, dentre outras atividades.
Destacam-se sua participação no Montreux Jazz Festival (Suíça); Jazz Fest Berlin (Alemanha); Festival de La Unidad (México); Festival de Arte e Cultura (Nigéria); Festival de Varadero (Cuba); Festival Internacional de Jazz de São Paulo (Brasil), Festival Rock in Rio (Brasil); Free Jazz Festival (Brasil); Festival Expressions’86 (EUA); Encuentro Latinoamericano de Percusión (Venezuela); em turnês no Japão, França, Itália e nos Estados Unidos; nos lendários shows Nós por exemplo, de 1964, e Os Doces Bárbaros, de 1976, com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia; nos espetáculos do guitarrista alemão Volker Kriegel e da Mild Maniac Orchestra, no Brasil, em 1975, como convidado especial; no espetáculo de reabertura do Teatro Sistina, na Itália, em 1976, com Maria Bethânia; no disco Aquarius com Patrick Moraz; na composição de Peter Gabriel ganhadora do Grammy (“Mercy Street”), e na trilha sonora, do mesmo compositor, para o filme A última tentação de Cristo, de Martin Scorsese; em gravações marcantes no cenário da Música Popular Brasileira, como os LPs Jóia, Qualquer Coisa e Bicho (de Caetano Veloso), Gil e Jorge (de Gilberto Gil e Jorge Ben), Refavela, Realce, Gilberto Gil ao Vivo em Montreux, O Luar, Parabolicamará (de Gilberto Gil), Refestança (de Gilberto Gil e Rita Lee), Almanaque e Chico Buarque (de Chico Buarque de Holanda), Caras e Bocas (de Gal Costa), Mel (de Maria Bethânia), entre vários outros.
Destacam-se também a criação do grupo multimídia Baiafro, ainda na Bahia, em 1970; o lançamento do LP Baiafro, pelo qual recebeu o Troféu Villa-Lobos como instrumentista do ano, em 1978, seguido de tournées com o grupo e com The Dave Pike Set, sob o patrocínio do Instituto Cultural Brasil-Alemanha; a composição da música para o documentário Black Music in Brazil, em série da BBC de Londres; a gravação do LP Grupo Cauim, em 1980; a gravação do LP Evolução (Ariola), em 1984; a gravação do LP Quarteto Negro, em 1987, com os parceiros Paulo Moura, Zezé Mota e Jorge Degas; a gravação do LP Gosto de Brasil, com Nonato Luiz, em 1990; a série de concertos com Márcio Montarroyos e Nonato Luiz, em 1992, que participaram também do CD Djalma Corrêa, produzido pelo SESC São Paulo, dentro da série A Música Brasileira deste Século – por seus autores e intérpretes; a gravação do CD Barro Oco, em 2000, com a saxofonista Maria Bragança, seguido de apresentações no Theater Frankfurt (Alemanha), na série Internationales; a coordenação do projeto “Música Além do Mercado”, durante o ano de 2003, patrocinado pelo Goethe Institut, na cidade de São Paulo; a realização de oficinas de música nos Festivais de Inverno de Curitiba, Cascavel, Ouro Preto, Porto Alegre, Pelotas e Diamantina, entre as quais as oficinas de percussão e craviola, em parceria com Stênio Mendes.
Pesquisador da cultura negra, Djalma foi o responsável pela execução do Projeto Phonogram de Pesquisa e Documentação do Folclore no Brasil, desenvolvido entre 1973 e 1975. Reuniu em acervo particular, durante cerca de 40 anos de pesquisa de campo em todo o Brasil, vasta documentação da cultura popular brasileira, além dos registros feitos paralelamente na África, em Cuba, na Venezuela e na Europa. Parte de seu acervo particular de documentação sobre música e outros aspectos da cultura popular brasileira foi utilizada na realização, em parceria com Charles Murray, de um CD rom sobre os diversos aspectos da cultura negra no Brasil, intitulado Brasil Afro-descendente. Foi curador do 1o Festival Internacional de Arte Negra – FAN, em 1995, para o qual desenvolveu oficinas de afoxé nas periferias de Belo Horizonte e organizou a Banda Mineira de Percussão. Em dezembro de 2003, participou da idealização e fundação do Núcleo Brasileiro de Percussão, sendo eleito seu Diretor Geral.
Pesquisador da cultura negra, Djalma foi o responsável pela execução do Projeto Phonogram de Pesquisa e Documentação do Folclore no Brasil, desenvolvido entre 1973 e 1975. Reuniu em acervo particular, durante cerca de 40 anos de pesquisa de campo em todo o Brasil, vasta documentação da cultura popular brasileira, além dos registros feitos paralelamente na África, em Cuba, na Venezuela e na Europa. Parte de seu acervo particular de documentação sobre música e outros aspectos da cultura popular brasileira foi utilizada na realização, em parceria com Charles Murray, de um CD rom sobre os diversos aspectos da cultura negra no Brasil, intitulado Brasil Afro-descendente. Foi curador do 1o Festival Internacional de Arte Negra – FAN, em 1995, para o qual desenvolveu oficinas de afoxé nas periferias de Belo Horizonte e organizou a Banda Mineira de Percussão. Em dezembro de 2003, participou da idealização e fundação do Núcleo Brasileiro de Percussão, sendo eleito seu Diretor Geral.
Em 2004, o percussionista preparou, a convite, a oficina de dança e percussão oferecida ao Departamento de Dança do Goucher College de Baltimore, Maryland (USA), no Rio de janeiro (Brasil); a oficina intitulada La Percusión en Brasil: la musica en los terreiros, seguida de um concerto para a percussão, dentro da programação oficial do I Festival Internacional de Tradições Afro-Americanas, em Maracay, Aragua – Venezuela; e, em julho, pelo Núcleo Brasileiro de Percussão, uma oficina baseada nas diversas versões da tradição carnavalesca do Zé Pereira, espalhadas pelo Brasil, dentro da programação do I Fórum das Artes de Ouro Preto, Minas Gerais (Brasil).
DISCOGRAFIA
SALOMÃO – The New Dave Pike Set and Grupo Baiafro in Bahia / MPS -1972
BENDENGÓ - Gereba / 1973 - Fontana
JORGE GIL OGUN XANGÔ – Jorge Ben e Gilberto Gil / 1975 - Philips
QUALQUER COISA – Caetano Veloso / 1975 - Philips
JÓIA – Caetano Veloso / 1975 - Philips
SMETAK- Walter Smetak / 1975 – Philips
GIL E JORGE (OGUN XANGÔ) – Gilberto Gil & Jorge Ben /1975 - Polygram
DOCES BÁRBAROS- Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa / 1976 - Philips
OTALIA DE BAHIA - Otalia da Bahia / 1976 - RCA
MEUS CAROS AMIGOS – Chico Buarque / 1976 - Philips
AFRICABRASIL – Jorge Ben / 1976 – Philips
MORTE DE UM POETA – Alcione / 1976 – Philips
OS PASTORES DA NOITE – Otalia da Bahia / 1977 – RCA
*CANDOMBLÉ – Djalma Corrêa / 1977 - Fontana
*BATUCADA No 4 – Djalma Corrêa / 1977 – Philips
REFAVELA- Gilberto Gil / 1977 - Philips
TOQUINHO TOCANDO – Toquinho / 1977 – Philips
BICHO – Caetano Veloso / 1977 – Philips
FILHO DO POVO – Walter Queiroz / 1977 – Philips
O DIA EM QUE A TERRA PAROU – Raul Seixas / 1977 – WEA
MEUS AMIGOS SÃO UM BARATO – Nara Leao / 1977 – Philips
ALHOS COM BUGALHOS – Almôndegas / 1977 – Philips
NORMA, CANTA MULHERES – Norma Benguel / 1977 Elenco
REFESTANÇA – Gilberto Gil / Rita Lee / 1978- Som Livre
VITAL FARIAS – Vital Farias / 1978 – Polydor
ZEZÉ MOTA – Zeze Mota / 1978 – WEA
BARRANQUEIRO – Marku Ribas / 1978 – Philips
CHICO BUARQUE – Chico Buarque / 1978 – Philips
*MPBC – BAIAFRO – Djalma Corrêa / 1978 – Philips
PATRICK MORAZ – Patrick Moraz / 1978- Polydor
GILBERTO GIL AO VIVO EM MONTREAUX – Montreaux’78 / 1978 – Elecktra-WEA
NOVA HISTÓRIA DA MPB – Abril Cultural (serie) / 1979
MEL – Maria Bethânia / 1979 – Philips
NIGHTINGALE – Gilberto Gil / 1979 - WEA
REALCE – Gilberto Gil / 1979 - WEA
A MASSA – Raimundo Sodre / 1980 - Polydor
KLEITON & KLEIDIR – Kleiton E Kleidir / 1980
FALA MOÇO – Alcivando Luz / 1980 - Disco Independente
COISA DE NÊGO – Raimundo Sodre / 1981 – Ariola
QUE QUI TU TEM CANÁRIO - Xangai / 1981 – Estúdio de Invençoes
REVOLTA DOS PALHAÇOS – Francisco Mario / 1982 – Libertas
MARIA – Maria Bethânia / 1988 - BMG Ariola
PASSION – Peter Gabriel / 1989 – Universal
SO – Peter Gabriel / 1989 – Universal
BRASIL – Manhattan Transfer / 1990 – Atlantic
CANTA BRASIL: GREAT BRASILIAN SONGBOOK, #1 – Compilation / 1990 - Polygram
CANTO DO PAGÉ – Maria Bethânia / 1991 – Polygram
SHAKING THE TREE – Peter Gabriel / 1991 - Universal
THE ANTHOLOGY: DOWN IN BIRDLAND – Manhattan Transfer / 1992 – Rhino
SAMBA SOLSTICE – Marcio Montarroyos / 1993 – Black Sun Records
GOSTO DE BRASIL – Nonato Luiz / 1993 - Milestone
BRASIL: A CENTURY OF SONG, VOL:1 – Compilation / 1995 – Blue Jackel
RETRATOS – Francisco Mario / 1995
BARRO OCO - Maria Bragança / 1998 – Disco Independente
SENHORA DEL MUNDO – Collegium Musicum de Minas / 1999 – Disco Independente
A ORIGEM- Collegium Musicum de Minas / 1999 – Disco Independente
AQUILON – Corciolli, Djalma Corrêa, Maria Bragança / 2000 - Azul Records
A MUSICA BRASILEIRA DESTE SECULO POR SEUS AUTORES E INTERPRETES - Djalma Corrêa / 2000 – SESC SP
BENDENGÓ - Gereba / 1973 - Fontana
JORGE GIL OGUN XANGÔ – Jorge Ben e Gilberto Gil / 1975 - Philips
QUALQUER COISA – Caetano Veloso / 1975 - Philips
JÓIA – Caetano Veloso / 1975 - Philips
SMETAK- Walter Smetak / 1975 – Philips
GIL E JORGE (OGUN XANGÔ) – Gilberto Gil & Jorge Ben /1975 - Polygram
DOCES BÁRBAROS- Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa / 1976 - Philips
OTALIA DE BAHIA - Otalia da Bahia / 1976 - RCA
MEUS CAROS AMIGOS – Chico Buarque / 1976 - Philips
AFRICABRASIL – Jorge Ben / 1976 – Philips
MORTE DE UM POETA – Alcione / 1976 – Philips
OS PASTORES DA NOITE – Otalia da Bahia / 1977 – RCA
*CANDOMBLÉ – Djalma Corrêa / 1977 - Fontana
*BATUCADA No 4 – Djalma Corrêa / 1977 – Philips
REFAVELA- Gilberto Gil / 1977 - Philips
TOQUINHO TOCANDO – Toquinho / 1977 – Philips
BICHO – Caetano Veloso / 1977 – Philips
FILHO DO POVO – Walter Queiroz / 1977 – Philips
O DIA EM QUE A TERRA PAROU – Raul Seixas / 1977 – WEA
MEUS AMIGOS SÃO UM BARATO – Nara Leao / 1977 – Philips
ALHOS COM BUGALHOS – Almôndegas / 1977 – Philips
NORMA, CANTA MULHERES – Norma Benguel / 1977 Elenco
REFESTANÇA – Gilberto Gil / Rita Lee / 1978- Som Livre
VITAL FARIAS – Vital Farias / 1978 – Polydor
ZEZÉ MOTA – Zeze Mota / 1978 – WEA
BARRANQUEIRO – Marku Ribas / 1978 – Philips
CHICO BUARQUE – Chico Buarque / 1978 – Philips
*MPBC – BAIAFRO – Djalma Corrêa / 1978 – Philips
PATRICK MORAZ – Patrick Moraz / 1978- Polydor
GILBERTO GIL AO VIVO EM MONTREAUX – Montreaux’78 / 1978 – Elecktra-WEA
NOVA HISTÓRIA DA MPB – Abril Cultural (serie) / 1979
MEL – Maria Bethânia / 1979 – Philips
NIGHTINGALE – Gilberto Gil / 1979 - WEA
REALCE – Gilberto Gil / 1979 - WEA
A MASSA – Raimundo Sodre / 1980 - Polydor
KLEITON & KLEIDIR – Kleiton E Kleidir / 1980
FALA MOÇO – Alcivando Luz / 1980 - Disco Independente
COISA DE NÊGO – Raimundo Sodre / 1981 – Ariola
QUE QUI TU TEM CANÁRIO - Xangai / 1981 – Estúdio de Invençoes
REVOLTA DOS PALHAÇOS – Francisco Mario / 1982 – Libertas
MARIA – Maria Bethânia / 1988 - BMG Ariola
PASSION – Peter Gabriel / 1989 – Universal
SO – Peter Gabriel / 1989 – Universal
BRASIL – Manhattan Transfer / 1990 – Atlantic
CANTA BRASIL: GREAT BRASILIAN SONGBOOK, #1 – Compilation / 1990 - Polygram
CANTO DO PAGÉ – Maria Bethânia / 1991 – Polygram
SHAKING THE TREE – Peter Gabriel / 1991 - Universal
THE ANTHOLOGY: DOWN IN BIRDLAND – Manhattan Transfer / 1992 – Rhino
SAMBA SOLSTICE – Marcio Montarroyos / 1993 – Black Sun Records
GOSTO DE BRASIL – Nonato Luiz / 1993 - Milestone
BRASIL: A CENTURY OF SONG, VOL:1 – Compilation / 1995 – Blue Jackel
RETRATOS – Francisco Mario / 1995
BARRO OCO - Maria Bragança / 1998 – Disco Independente
SENHORA DEL MUNDO – Collegium Musicum de Minas / 1999 – Disco Independente
A ORIGEM- Collegium Musicum de Minas / 1999 – Disco Independente
AQUILON – Corciolli, Djalma Corrêa, Maria Bragança / 2000 - Azul Records
A MUSICA BRASILEIRA DESTE SECULO POR SEUS AUTORES E INTERPRETES - Djalma Corrêa / 2000 – SESC SP
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